terça-feira, 23 de julho de 2013

Châteauneuf du Pape

O vilarejo de Châteauneuf du Pape está situado em plena Provence. Com cerca de dois mil habitantes, dá nome a uma das regiões produtoras de vinho mais reputadas da França.


Como o nome define, Châteauneuf du Pape tem uma história diretamente influenciada pela chegada dos papas na cidade vizinha de Avignon, no início do século 14, quando o papa Clemente V se mudou com toda a corte do Vaticano e fez da região uma sede do poder católico que se estendeu até 1377, quando reinaram sete papas. Ali eles ergueram o impressionante Palais des Papes, principal atração da cidade. Não contentes, decidiram construir um castelo novo nos arredores – o tal château neuf, em francês. Amantes dos vinhos, não demoraram a plantar uvas.

Assim a paisagem de Châteauneuf foi transformada com a construção do castelo papal, entre 1315 e 1333, por ordem de João XXII, o segundo papa eleito em Avignon. O castelo era usado como residência de veraneio, distante o suficiente da sede do papado para garantir o descanso do sumo pontífice, mas, ao mesmo tempo, próximo o suficiente para manter estreita comunicação com o que ocorria em Avignon.  



O castelo foi construído estrategicamente sobre um monte rochoso de onde é possível observar o Vale do Ródano e onde foram plantadas as parreiras para a produção de vinho. A vinicultura havia sido introduzida na região pelos romanos, que fundaram Orange (a 12 km de Châteauneuf) no final da era pré-cristã. Mas foi por causa do castelo papal que o vinho ali produzido se desenvolveu, passando a ser conhecido como vin du pape (vinho do papa).


Atualmente, restam apenas ruínas do castelo, que foi severamente danificado durante as guerras religiosas do século 16 e Revolução Francesa, no final do século 18. Na Segunda Guerra Mundial, os alemães fizeram da construção um ponto de observação. Quando abandonaram o castelo por causa do avanço das tropas aliadas, dinamitaram grande parte dos cômodos que ainda estavam de pé. Sobrou apenas uma sala, onde são feitos eventos municipais, como a abertura anual da vindima, a colheita das uvas para a produção do vinho.
Após a partida dos papas e a decadência do castelo, a tradição da vinicultura permaneceu enraizada no vilarejo. No século 19, os vinhos provenientes de Châteauneuf se tornaram os mais célebres dentre os produzidos no vale sul do Ródano, graças aos esforços dos vinicultores locais para incrementar a qualidade do produto.
Além da circunscrição da área de produção, uma norma importante diz respeito às uvas permitidas em Châteauneuf. São treze, dentre as quais, as mais importantes são grenache, mourvèdre, syrah, cinsault, clairette, bourboulenc e roussanne.

A grenache é a estrela da vinicultura local, tanto para os tintos (93% da produção) quanto para os brancos. Capaz de suportar o clima quente e seco do sul da França, resulta em vinhos de alto teor alcoólico, forte coloração e sabor acentuado. Mas esta uva principal quase nunca está sozinha. Nos tintos, são acrescentadas porções de syrah, mourvèdre e cinsault, para conferir maior equilíbrio, classe e harmonia. Nos vinhos brancos, o complemento é feito com clairette, bourboulenc e roussanne. Alguns produtores ousados usam uma gama ainda mais ampla de cepas e, por vezes, até deixam a grenache em menor proporção.
Os vinhos de Châteauneuf, principalmente os tintos, são capazes de suportar  períodos de guarda de 15 a 20 anos (ou mais). Quando novos, exalam gostos frutados e têm coloração rubi. Quanto mais velhos, a cor tende mais para o marrom e o gosto se torna mais severo, com notas de café.

 Amém!

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